Anni Sacri
- Tipo
- Encíclica
- Esfera
- Pontifício
- Papa / autoridade
- Venerável Papa Pio XII
- Data de publicação
- 12 de março de 1950
- Idiomas disponíveis (vatican.va)
- PT
O documento aborda a precária situação da paz mundial após o fim dos conflitos bélicos, destacando que a desconfiança mútua entre as nações ainda alimenta a corrida armamentista. O Papa expressa preocupação com a instabilidade global e a falta de uma harmonia duradoura entre os povos.
Além disso, o texto denuncia a perseguição aos direitos da Igreja e à liberdade religiosa em diversos países. O Papa exorta os clérigos a combaterem as corrupções ideológicas e a censura, buscando restaurar a verdade e a fé no coração das sociedades através de uma renovação espiritual profunda.
CARTA ENCÍCLICA ANNI SACRI (*) DO SUMO PONTÍFICE PAPA PIO XII AOS VENERÁVEIS IRMÃOS PATRIARCAS, PRIMAZES, ARCEBISPOS E BISPOS E OUTROS ORDINÁRIOS DO LUGAR EM PAZ E COMUNHÃO COM A SÉ APOSTÓLICA
ORAÇÕES PARA A RENOVAÇÃO CRISTÃ E A CONCÓRDIA ENTRE OS POVOS
2. Porém se esses espetáculos nos deram consolações suavíssimas, não faltaram motivos de ânsia e de angústia para entristecer o nosso coração paterno. Primeiramente, mesmo que a guerra tenha acabado em todos os lugares, ainda não chegou a paz desejada, aquela paz estável e segura que possa conciliar felizmente os muitos e sempre crescentes motivos de discórdia. Muitas nações desconfiam mutuamente e, ao faltar a confiança, correm para os armamentos, deixando temerosos e duvidosos os ânimos de todos.
4. Mais ainda, temos de deplorar com tristeza imensa que em não poucas nações são ofendidos e calcados os direitos de Deus, da Igreja e da própria natureza humana. Os ministros sagrados, mesmo os de mais alta dignidade, ou são afastados de suas sedes, exilados e aprisionados, ou impedidos de exercer o ministério a eles confiado. No ensino escolástico, quer inferior quer universitário, assim como nas publicações da imprensa, ou não se permite expor e defender a doutrina da Igreja ou é coarctada e controlada pela censura oficial de tal modo que parece ser elevado a princípio o propósito arbitrário de que a verdade, a liberdade e a religião devem estar submetidas e dóceis à autoridade civil.
6. Como sabeis, tirado o sentimento religioso, não pode haver sociedade bem morigerada e bem regulada. Daqui a urgência de incitar os sacerdotes, sob vossa direção, para que, especialmente durante o ano santo, não poupem fadigas para que as almas a eles confiadas, depostos os falsos preconceitos e as convicções erradas, apagados os ódios e pacificadas as discórdias, se alimentem da doutrina do Evangelho e participem na vida cristã, apressando a desejada renovação dos costumes. E como o sacerdote não pode chegar a tudo e a todos, e nem sempre a sua ação pode bastar adequadamente a toda necessidade, os militantes nas fileiras da Ação católica devem prestar a ajuda de sua experiência e da sua operosidade. A ninguém é permitido ser indolente e preguiçoso, enquanto sobranceiam tantos males e tantos perigos e ao passo que os que estão do outro lado trabalham tão alacremente para destruir as próprias bases da religião católica e do culto cristão. Nunca aconteça "que os filhos deste século sejam mais prudentes do que os filhos da luz" (Lc 16,8); nunca que aqueles sejam mais ativos do que estes.
8. Unidos a nós na oração, peçam todos à misericórdia divina que da desejada restauração dos costumes surja uma nova ordem, enformada pela verdade, justiça e caridade. Seja iluminado pelo lume celeste o intelecto dos que têm nas mãos os destinos dos povos, reflitam eles que como a paz é obra de sabedoria e de justiça, assim a guerra é fruto da cegueira e do ódio; e pensem que um dia não somente deverão prestar contas à história mas também ao juízo eterno de Deus.
10. Com fé, amor e esperança dirigimos a ele a nossa oração. Olhe ele, indulgente, especialmente durante este ano santo, a humanidade oprimida por tantas desventuras, atingida por tantos temores e pelos frutos de tantas discórdias. E como um dia acalmou com sua ordem a tempestade do lago da Galiléia, assim acalme hoje as desventuras humanas.
12. Desejamos, veneráveis irmãos, que deis a conhecer essas coisas aos fiéis confiados aos vossos cuidados e os exorteis a rezar fervorosamente conosco ao Senhor. Confiando que todos haverão de responder com generoso amor às nossas exortações, com efusão de ânimo concedemos a cada um de vós e a todos os vossos fiéis a bênção apostólica, penhor de nossa benevolência e auspício dos favores celestes.