Aeterna Dei Sapientia
- Tipo
- Encíclica
- Esfera
- Pontifício
- Papa / autoridade
- São João XXIII
- Data de publicação
- 11 de novembro de 1961
- Idiomas disponíveis (vatican.va)
- PT
O documento celebra o XV centenário do falecimento de São Leão I Magno, destacando sua sabedoria divina, coragem e caridade como um exemplo notável para a Igreja. O texto enfatiza que suas virtudes transcendem atos históricos específicos, refletindo uma profunda dedicação à doutrina e ao governo da fé.
A encíclica ressalta a importância de recordar o legado deste pontífice para a edificação das almas e a exaltação da religião católica. Além de mencionar sua bravura histórica diante de ameaças externas, o texto foca na autoridade espiritual e na missão pacificadora do papado.
CARTA ENCÍCLICA AETERNA DEI SAPIENTIA DO SUMO PONTÍFICE JOÃO XXIII AOS VENERÁVEIS IRMÃOS PATRIARCAS, PRIMAZES, ARCEBISPOS, BISPOS E OUTROS ORDINÁRIOS DO LUGAR, EM PAZ E COMUNHÃO COM A SÉ APOSTÓLICA
SOBRE SÃO LEÃO I MAGNO PONTÍFICE MÁXIMO E DOUTOR DA IGREJA, AO CUMPRIR-SE O XV CENTENÁRIO DA SUA MORTE
Veneráveis irmãos saudações e bênção apostólica
1. A eterna sabedoria de Deus, que "alcança com vigor de um extremo ao outro e governa o universo retamente" (Sb 8, 1), parece haver impresso com singular esplendor a sua imagem no espírito de s. Leão I, Sumo Pontífice. Este, com efeito, "grandíssimo entre os grandes", [1] como justamente lhe chamou o nosso predecessor Pio XII, de venerável memória, apareceu dotado, em medida extraordinária, de intrépida fortaleza e de paternal bondade.
2. Por este motivo, nós, chamados pela divina Providência a sentar-nos na cátedra de Pedro, que s. Leão Magno tanto ilustrou com a sabedoria do governo, com a riqueza de doutrina, com a sua magnanimidade e com a sua inexaurível caridade, sentimos o dever, veneráveis irmãos, na circunstância do décimo quinto centenário do seu bem-aventurado trânsito, de lhe evocar as virtudes e os méritos imortais, certos como estamos de que isto contribuirá notavelmente para a vantagem comum das almas e para a exaltação da religião católica. Com efeito, a grandeza desse pontífice não está ligada principalmente ao gesto de intrépida coragem com que, inerme, revestido somente da majestade de sumo sacerdote, no ano de 452 enfrentou o feroz Átila, rei dos Hunos, nas margens do Míncio, e persuadiu-o a se retirar para além do Danúbio. Este foi, indubitavelmente, um gesto nobilíssimo, digno, tanto quanto possível, da missão pacificadora do pontificado romano; mas, na realidade, representa apenas um episódio e um indício de uma vida toda inteira despendida em favor do bem religioso e social, não só de Roma e da Itália, como também da Igreja universal.
SÃO LEÃO MAGNO, PONTÍFICE, PASTOR E DOUTOR DA IGREJA UNIVERSAL
Servo fiel da Sé Apostólica
5. E agora, querendo simplesmente indicar o caráter saliente da sua vida, não podemos deixar de proclamar que bem raramente o triunfo da Igreja de Cristo sobre os seus inimigos espirituais foi tão glorioso como durante o pontificado de s. Leão Magno. Este, em verdade, no correr do século V, brilha no céu da cristandade como um astro resplendente. E nem pode tal afirmação ser, de modo algum, desmentida, especialmente se se considera o campo doutrinário da fé católica; nele, com efeito, o seu nome está ligado simplesmente aos de santo Agostinho de Hipona e de s. Cirilo de Alexandria. Efetivamente, se santo Agostinho, como todos sabem, reivindicou, contra a heresia pelagiana, a absoluta necessidade da graça para viver honestamente e conseguir a salvação eterna, se s. Cirilo de Alexandria, contra as erradas afirmações de Nestório, defendeu a divindade de Jesus Cristo e a divina maternidade de Maria Virgem, de sua parte s. Leão, herdeiro da doutrina dos dois insignes luzeiros da Igreja do Ocidente e do Oriente, domina sobre todos os seus contemporâneos na clara afirmação dessas fundamentais verdades da fé católica. E, assim como santo Agostinho é aclamado na Igreja como doutor da graça, e s. Cirilo como doutor da encarnação, assim também s. Leão é celebrado, sobre todos, como o doutor da unidade da Igreja.
6. Com efeito, basta deitar um rápido olhar à prodigiosa atividade de pastor e de escritor desenvolvida por s. Leão no longo período do seu pontificado, para daí tirar a convicção de haver ele sido o asseverador e o defensor da unidade da Igreja tanto no campo doutrinário como no campo disciplinar. Se, depois, se passa ao campo litúrgico, fácil é notar que o piedosíssimo pontífice promoveu a unidade de culto, compondo, ou ao menos inspirando, algumas das mais elevadas orações, que se acham contidas no chamado Sacramentário Leoniano.[6]
8. Nem a isso se limitou s. Leão. Com efeito, à carta a Flaviano, na qual mais difusamente expusera "tudo o que a Igreja católica universalmente acreditava e ensinava acerca do mistério da encarnação do Senhor", [9] s. Leão fez seguir a condenação do concílio de Éfeso de 449. Nele, recorrendo à ilegalidade e à violência, procurara-se fazer triunfar a errada doutrina de Eutiques, o qual, "muito inconsiderado e muito ignorante",[10] obstinava-se em querer reconhecer em Jesus Cristo só uma única natureza, a divina. Com todo direito o papa denominou tal concílio um "latrocínio",[11] visto que, contravindo às claras disposições da sé apostólica, ousara por todos os meios "atacar a fé católica"[12] e "reforçar uma execrável heresia".[13]
10. Não menos evidente apareceu a solicitude de s. Leão pela unidade e pela paz da Igreja quando ele demorou a dar sua aprovação aos atos do concílio. Essa demora, na realidade, não deve ser atribuída nem a negligência nem a qualquer razão de caráter doutrinário, senão que, - como ele próprio depois declarou - com isso pretendeu ele opor-se ao cânone 28, no qual, não obstante o protesto dos legados pontifícios, e no evidente desejo de granjearem a benevolência do imperador de Bizâncio, os padres conciliares haviam reconhecido à Sé de Constantinopla o primado sobre todas as Igrejas do oriente. Esta disposição aparecia a s. Leão como uma aberta afronta aos privilégios de outras Igrejas mais antigas e mais ilustres, reconhecidas mesmo pelos padres do concílio de Nicéia; e, além disto, constituía um prejuízo para o prestígio da própria Sé Apostólica. Este perigo, mais do que nas palavras do cânone 28, fora agudamente entrevisto por s. Leão no espírito que o ditara, como claramente resulta de duas cartas, uma das quais foi a ele dirigida pelos bispos do concílio,[16] e a outra por ele dirigida ao imperador. Nesta última, repelindo as argumentações dos padres conciliares, ela assim adverte: "Uma coisa é a ordenação das coisas do mundo, outra é a ordenação das coisas de Deus; não se terá nenhuma estrutura estável fora dessa pedra que o Senhor colocou como fundamento (Mt 16,18). Prejudica seus próprios direitos aquele que deseja o que lhe não é devido".[17] A dolorosa história do cisma que em seguida separou da Sé Apostólica tantas ilustres Igrejas do oriente cristão está a mostrar claramente, como se deduz da passagem citada, o fundamento dos temores de s. Leão a respeito de futuras divisões no seio da cristandade.
Luzeiro de doutrina
13. Sua fama de doutor é garantida por suas Homilias e Cartas, que a posteridade nos conservou em número bem relevante. A coletânea das Homilias abrange vários assuntos, quase todos ligados ao ciclo da sagrada liturgia. Nesses escritos ele se revela não tanto um exegeta, aplicado à exposição de um determinado livro inspirado, nem um teólogo, amante de profundas especulações em torno das verdades divinas, quanto, mais propriamente, um expositor, fiel, perspícuo e copioso, dos mistérios cristãos, aderente à interpretação transmitida pelos concílios, pelos Padres e sobretudo pelos pontífices seus antecessores. O seu estilo é simples e grave, elevado e persuasivo, digno, simplesmente, de ser julgado um modelo perfeito da eloqüência clássica. Todavia, ele nunca sacrifica à elegância do dizer a exatidão da verdade por exprimir; não fala nem escreve para se fazer admirar, e sim para iluminar as mentes e inflamar os corações à perfeita conformidade da vida prática com as verdades professadas.
O XV CENTENÁRIO LEONIANO E O CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II
A unidade da Igreja no pensamento do santo
17. Além disto, observa ainda s. Leão, o sacramento do batismo não só torna cada cristão membro de Cristo, mas o faz também participante da sua realeza e do seu sacerdócio espiritual: "Com efeito, todos aqueles que foram regenerados em Cristo foram também feitos reis com o sinal da cruz, e sagrados sacerdotes com a unção do Espírito Santo".[27] O sacramento da Confirmação, chamado "santificação dos crismas",[28] corrobora tal assimilação a Cristo Cabeça, enquanto na eucaristia ela acha o seu remate: "Com efeito, a participação no Corpo e no Sangue de Cristo não faz senão transformar-nos naquilo que tomamos; e em tudo, tanto na carne como no espírito, trazemos aquele mesmo no qual fomos mortos, sepultados e ressuscitados".[29]
O bispo de Roma, centro da unidade visível
Prerrogativas do Magistério de s. Pedro e de seus sucessores
21. Tudo o que com tanta clareza e insistência s. Leão afirma a respeito de s. Pedro assevera-o também de si mesmo, não por estímulo de ambição humana, mas pela íntima persuasão que ele tem de si não menos que o príncipe dos apóstolos, ser o vigário do próprio Jesus Cristo, como se depreende deste trecho dos seus sermões: "Não é para nós motivo de orgulho a solenidade com que, cheio da gratidão a Deus pelo seu dom, festejamos o aniversário do nosso sacerdócio; porquanto com toda sinceridade confessamos que todo o bem por nós praticado no desenvolvimento do nosso ministério é obra de Cristo; e não de nós, que nada podemos sem ele, mas que dele nos gloriamos, de quem deriva toda a eficácia do nosso operar".[35] Com isto, longe de pensar que já agora s. Pedro seja estranho ao governo da Igreja, s. Leão, pelo contrário, gosta de associar à confiança na perene assistência do seu divino Fundador a confiança na proteção de s. Pedro, de quem se professa herdeiro e sucessor, "substituindo-o no encargo". [36] Por isto, aos méritos do apóstolo, mais do que aos seus, atribui ele os frutos do seu ministério universal. O que, entre outras coisas, é claramente provado pela seguinte expressão: "Portanto, se algo de bom operamos ou vemos, se algo obtemos da misericórdia de Deus com as nossas orações cotidianas, isto se deve às obras e aos méritos dele; na sua Sé perdura ainda o seu poder, domina a sua autoridade".[37] Na realidade, s. Leão não ensina nada de novo. Igualmente aos seus predecessores santo Inocêncio I [38] e s. Bonifácio I, [39] e em perfeita harmonia com os bem conhecidos textos evangélicos, por ele mesmo comentados (Mt 16, 17-18; Lc 22, 31-32; Jo 21, 15-17), ele está convencido de haver recebido do próprio Cristo o mandato do supremo ministério pastoral. Afirma, com efeito: "A solicitude que devemos ter para com todas as Igrejas tem origem principalmente num mandato divino".[40]
22. Não devemos, pois, admirar-nos se à exaltação do príncipe dos apóstolos s. Leão gosta de associar a da cidade de Roma. Eis como ele se exprime a respeito dela no seu sermão em honra de s. Pedro e s. Paulo: "São estes, deveras, os heróis por obra dos quais em ti refulgiu, ó Roma, o evangelho de Cristo...; foram eles que te alçaram a esta glória de cidade santa, de povo eleito, de cidade sacerdotal e régia; de modo que, tornada, em virtude da sagrada sede do bem-aventurado Pedro, verdadeiramente cabeça do mundo, estendes o teu império com a religião divina mais do que o estendeste com a dominação humana. Se bem que, realmente, tornada poderosa pelas muitas vitórias, afirmasses por terra e por mar o direito do império, todavia aquilo que as fadigas guerreiras te sujeitaram é menos do que aquilo que a ti submeteu a paz cristã". [41] Lembrando, depois, aos seus ouvintes o esplêndido testemunho prestado por s. Paulo à fé dos primeiros cristãos de Roma, com a seguinte exortação o grande pontífice estimula-os a conservarem isenta de toda mácula de erro a sua fé católica: "Vós, pois, caros a Deus e feitos dignos da aprovação apostólica, vós a quem o beato apóstolo Paulo, doutor das gentes, diz: "A vossa fé é celebrada em todo o mundo", guardai em vós aquilo que sabeis ter sido pensado a vosso respeito por ele, que tão autorizadamente vos exaltou. Nenhum de vós se torne imerecedor deste louvor; de modo que nem mesmo pelo contágio da impiedade de Êutiques possam ser contaminados aqueles que, sob a guia do Espírito Santo, em tantos séculos não conheceram nenhuma heresia".[42]
23. A obra verdadeiramente insigne desenvolvida por s. Leão para salvaguarda dos direitos da Igreja de Roma não foi vã . De fato, graças ao prestígio da sua pessoa, a "cidadela do Apóstolo Pedro" foi louvada e venerada não só pelos bispos do ocidente, presentes nos concílios reunidos em Roma, como também por mais de quinhentos membros do episcopado oriental reunido em Calcedônia, [43] e pelos imperadores de Constantinopla.[44] Até mesmo antes do célebre concílio, Teodoreto, bispo de Ciro, tributara, em 449, ao bispo de Roma e à sua grei privilegiada, estes altos elogios: "A vós cabe o primeiro lugar em tudo, em razão das prerrogativas que honram a vossa Sé. As outras cidades, com efeito, gloriam-se ou da sua grandeza ou do número dos seus habitantes... O Doador de todo bem concedeu-o em superabundância à vossa cidade, já que ela é a maior e a mais ilustre de todas as cidades, governa o mundo, é rica de população... Além disto, possui os sepulcros de Pedro e Paulo, pais comuns e mestres da verdade, que iluminam as almas dos fiéis. Estes dois santíssimos luzeiros tiveram, sim, origem no oriente, e difundiram os seus raios de luz por toda parte; mas, por sua espontânea vontade, sofreram no ocidente o ocaso de sua vida, e daí iluminam agora o mundo. Esses tornaram nobilíssima a vossa Sé; aqui está a culminância dos vossos bens. Porém o Deus deles também agora torna ilustre a sua Sé, fazendo jorrar nela, da vossa santidade, os raios de luz da verdadeira fé". [45]
Votos pelo retorno dos irmãos separados
26. Pois bem: nós, que sucedemos a s. Leão na Sé episcopal de s. Pedro, assim como com ele professamos a fé na origem divina do mandato de universal evangelização e de salvação confiado por Jesus Cristo aos Apóstolos e aos seus sucessores, assim também, igualmente a ele, alimentamos o vivo desejo de ver todas as nações enveredarem pelo caminho da verdade, da caridade e da paz. E, justamente com o fito de tornar a Igreja mais idônea para cumprir nos nossos tempos essa excelsa missão, é que nos propusemos convocar o segundo concílio ecumênico Vaticano, com a confiança de que a imponente reunião da hierarquia católica não só reforçará os vínculos de unidade na fé, no culto e no regime, que são prerrogativas da verdadeira Igreja, [48] como também atrairá o olhar de inúmeros crentes em Cristo, e convidá-los-á a reunir-se em torno do "grande Pastor do rebanho" (Hb 13,20), que a Pedro e aos seus sucessores confiou a perene guarda dele (cf. Jo 21,15-17).
28. Porém o nosso apelo à unidade quer ser sobretudo o eco da prece dirigida pelo nosso Salvador a seu divino Pai na última ceia: "A fim de que todos sejam um; como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós" (Jo 17, 21). Nenhuma dúvida acerca do deferimento desta prece, tal como foi atendido o sacrifício cruento do Gólgota. Acaso o Senhor não afirmou que seu Pai sempre o escuta? (Jo 11,42). Nós, portanto, cremos que a Igreja, pela qual ele rogou e se imolou na Cruz, e à qual prometeu a sua presença perene, sempre foi e continua a ser "una, santa, católica e apostólica", tal como foi instituída.
30. O amplexo de paz entre os filhos do mesmo Pai celeste, igualmente co-herdeiros do mesmo reino de glória, assinalará a celebração do triunfo do corpo místico de Cristo.
EXORTAÇÃO FINAL
Vemos que em muitas regiões a "fé do Evangelho" (Fl 1, 27) está em perigo, e não faltam tentativas, graças a Deus destinadas, as mais das vezes, a falharem, de desligar do centro da unidade católica, isto é, da Sé romana, bispos, sacerdotes e fiéis. Pois bem: com o fim de conjurar tão graves perigos, confiante invocamos sobre a Igreja militante o patrocínio do santo pontífice que tanto operou, escreveu e sofreu pela causa da unidade católica. E a todos os que pacientemente gemem por amor da verdade e da justiça dirigimos as confortadoras palavras que s. Leão dirigiu ao clero, às autoridades e ao povo de Constantinopla: "Perseverai, pois, no espírito da verdade católica, e por meio de nós recebei a exortação apostólica: `Já que a vós por Cristo foi feita a graça não só de crerdes nele, mas também de por ele padecerdes' (Fl 29)".[51] Finalmente, para todos aqueles que vivem na unidade católica, nós, que, embora indignamente, fazemos na terra as vezes do Salvador divino, fazemos nossa a sua prece pelos seus caros discípulos e por quantos cressem nele: "Pai santo... rogo-te a fim de que eles cheguem à perfeita unidade" (cf. Jo 17, 11. 20. 23). Quer dizer, para todos os filhos da Igreja pedimos a perfeição da unidade, essa perfeição que só a caridade, "que é o vínculo de perfeição" (Cl 3, 14), pode dar. Com efeito, pela acesa caridade para com Deus e pelo exercício sempre mais pronto, alegre e generoso de todas as obras de misericórdia para com o próximo é que a Igreja, "templo de Deus vivo" (cf. 2 Cor 6, 16), se veste, em todos e em cada um de seus filhos, de beleza sobrenatural. Portanto, com s. Leão vos exortamos: "Visto, pois, que todos os fiéis juntos e cada um em particular constituem um só e mesmo templo de Deus, mister se faz que este seja perfeito em cada um como perfeito deve ser no conjunto; porquanto, mesmo se a beleza não é igual em todos os membros, nem os méritos iguais em tão grande variedade de partes, o vínculo da caridade produz, todavia, a comunhão na beleza. Aqueles que um santo amor une, mesmo se não participam dos mesmos dons da graça, gozam, todavia, reciprocamente dos seus bens, e aquilo que eles amam não lhes pode ser estranho, visto ser aumento das próprias riquezas o achar a alegria no progresso dos outros". [52]
33. Confortadora das nossas esperanças e auspício das graças divinas seja a bênção apostólica que a todos vós, veneráveis irmãos, e ao rebanho comado ao zelo ardentíssimo de cada um, com grande coração vos concedemos.